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25
Mai24

Ameaças

por Fábio Cardoso

Os olhos de Connor arregalaram-se ao ver a arma. Dirigiu um olhar rápido para a cara de Shweaty, que se mostrava muito séria e com um olhar frio, e voltou a olhar para a arma. Reconheceu a arma como sendo uma Beretta de 9mmcom um curto silenciador na ponta.

- O que raios está a fazer, Shweaty? – perguntou, tentando não mostrar o quão assustado estava.

- Silêncio Sr. Bishop! – ordenou Shweaty num tom calmo e frio. – Digamos que não tenho tempo para as suasindecisões e desculpas patéticas. Agora, vai acompanhar-me até ao meu consultório ou então vou ter de usar isto!

- Espera sair de um escritório cheio de advogados empunhando uma arma? Só para eu ir ao seu consultório? Você é louco Shweaty! – respondeu Connor elevando a voz.

- Já disse para se calar Sr. Bishop – rosnou Shweaty. – A não ser que queira que alguém se magoe! O que nós vamos fazer é o seguinte: vamos sair calmamente do seu escritório, dirigimo-nos até ao elevador e descemos até à garagem. E antes sequer de pensar em avisar alguém, pense nas consequências disso. Seria uma pena se a sua bonita secretária ou um colega seu se magoasse, só porque você não quer ir ao médico não acha? – terminou Shweaty com um sorriso maldoso.

Os pensamentos de Connor corriam a mil à hora. Não queria acompanhar este lunático, mas a última coisa que desejava era que alguém se magoasse por sua causa. Levantando as mãos em sinal de derrota disse: – Muito bem Shweaty! Ganhou, eu vou consigo.

- Esplêndido, Bishop! – respondeu Shweaty com o seu sorriso maldoso.

- Sabia que acabaria por ver as coisas à minha maneira. Agora vamos, não há tempo a perder! – Swheaty pôs as mãos nos bolsos do seu blazer, escondendo assim a arma. Indicou a Connor, com um aceno da cabeça, que saísse primeiro. Quando deixaram o escritório, Connor olhou para a sua secretária, que tinha a atenção presa ao monitor.

- Vou sair, Menina Spitz – disse, tentando manter um tom de voz

- Como queira, Sr. Bishop – respondeu a secretária sem sequer se virar. Connor sentiu Shweaty empurrá-lo e continuou a andar. Entraram no elevador e Shweaty carregou no botão para a garagem subterrânea. Ao chegarem, Shweaty voltou a empurrar Connor para sair do elevador. Dirigiram-se a um sedan negro estacionado numa parte vazia do parque de estacionamento. Shweaty abriu a mala e apontou a arma a Connor. – Entre na mala, Sr. Bishop – mandou.

Connor pensou em discutir, mas avistando novamente a arma, limitou-se a entrar na mala do carro. – Diga-me, Shweaty, o que pretende com tudo isto? O que é que quer de mim? – perguntou, mais irritado do que assustado.

Shweaty exibiu novamente um sorriso malvado. – Oh meu caro Sr. Bishop, quero apenas ajudá-lo! – De seguida, fechou a mala e Connor ficou imerso em escuridão...

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18
Mai24

A chamada...

por Tms

Connor mostrou-se mais céptico que surpreso.

Este não era o primeiro a dizer-lhe que tinha solução para os seus recentes sonhos e, tendo em conta os resultados passados, estava pouco certo de que seria o último.

Olhou para Shweaty durante mais uns segundos até quebrar o silêncio.

- Não que esteja a duvidar, mas posso saber como pensa curar-me, quando outros falharam?...

- Curas são para as doenças, Senhor Bishop, o seu caso é... diferente. Se não fui mais claro peço desculpa, mas o que lhe estou a oferecer é a possibilidade de ir para além dos sonhos, decifrar o que o seu cérebro lhe está a dizer! Agora, se fizer o favor de me acompanhar até ao meu consultório...

A frase foi interrompida por uma música, que Connor pareceu reconhecer, soando cada vez mais alta. Shweaty levou a mão ao bolso e retirou um telemóvel de onde saía, agora ainda com mais força, o tema de abertura dos Simpsons. O seu sorriso tinha desaparecido completamente com o chegar da música.

- Peço desculpa, mas vou ter mesmo que atender...

Connor acenou-lhe, como que dando permissão, e rodou a cadeira de modo a ficar de costas para Shweaty e de frente para a vista. Perdeu-se por momentos nos seus pensamentos, ignorando o que acontecia atrás de si. Não se sentia à vontade com o convite que acabara de receber e, para dizer  a verdade, até ficara aliviado por não ter sido obrigado a responder naquele instante. Algo não parecia certo naquele homem... Connor suspirou. Com a sua sorte, a última coisa que lhe faltava era ir para destino incerto com um cientista louco que acabara de conhecer...

Shweaty chamou três vezes por Connor até que este se libertasse dos seus pensamentos. Parecia impaciente.

- Quanto ao que estava a dizer, Senhor Bishop, se fizer o favor de me acompanhar até ao meu consultório podíamos começar a trabalhar imediatamente.

Connor não voltou a sua cadeira para Shweaty, evitando demonstrar qualquer sinal de insegurança ao responder:

- Pois, infelizmente estou cheio de trabalho, sabe, mas...

- Por favor, Senhor Bishop... – cortou Shweaty. – Ambos sabemos que isso não é verdade. Tem tido tanto trabalho como horas decentes de sono.

Connor mal podia acreditar numa mudança tão drástica no tom da conversa. Chocado com a atitude de Shweaty, rodou a cadeira para o encarar, encontrando-o de pé, com o blazer aberto, revelando a arma que até trazia escondida.

- Senhor Bishop, vou ter mesmo que insistir para que me acompanhe...

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11
Mai24

O Homem Misterioso

por Fábio Cardoso

O homem que entrou era de estatura média, tinha cabelo grisalho e olhos cinzentos. Usava um fato negro e uma gravata cinzenta com um pequeno símbolo dourado, que Connor reconheceu com sendo uma flor-de-lis.

- Bom dia, Senhor Shweaty. Connor Bishop. Em que posso ajudá-lo? – disse Connor, estendendo a mão. Shweaty olhou para a mão estendida por um momento antes de a apertar.

- Na verdade, Senhor Bishop, é Doutor Shweaty – esclareceu o homem com um estranho sorriso e sentando-se na cadeira em frente à secretária de – E não estou aqui por precisar de ajuda judicial, mas sim para o ajudar a si!

- Ajudar-me a mim? – perguntou, com uma expressão confusa. – Como assim?

Swheaty voltou a sorrir e como resposta entregou a Connor um cartão. Connor examinou o cartão, que continha apenas as palavras "Doutor James Shweaty – psicanalista". Olhou outra vez para Shweaty, à procura de respostas.

- O Doutor Potter falou-me do seu caso e deu-me o seu contacto – respondeu Shweaty, com aquele sorriso que começava a irritar Connor. – Estou aqui porque sei que é atormentado por sonhos Mais importante ainda,estou aqui porque sei como descobrir mais sobre eles...

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04
Mai24

Mais um dia

por Tms

Ao sair, Connor dava voltas à cabeça, procurando desculpas para se manter animado. Nada. Cada dia parecia mais difícil, cada argumento menos importante, cada passo mais cinzento.

Estava a tornar-se uma sombra do que fora em tempos, e sabia-o.

A viagem até ao escritório era invadida por breves fantasias de lugares remotos, fugir de tudo, fugir de todos...

"Só não posso fugir de mim..." concluía tristemente.

Ao chegar ao escritório tentava manter as aparências, mostrando um sorriso amarelo, enquanto se dirigia, aparentemente calmo, para o seu gabinete. Conseguia ouvir os colegas a sussurrar assim que o viam pelas costas, mas esforçava-se por não prestar atenção aos seus comentários.

- Bom dia, Senhor Bishop.

- Bom dia, Menina Spitz.

A secretária de Connor era a única pessoa que não lhe atirava um sorriso falso quando o via, e até se podia dizer que se tinha tornado mais fria nas suas interacções.

Mal podia ele acreditar que a rapariga que hoje em dia mal o olhava nos olhos era a mesma de há uns meses, que praticamente se atirava para os seus braços quando aparecia.

"Ao menos não é falsa..." – desculpava-a mentalmente, enquanto fechava atrás de si a porta do gabinete.

Apesar da recente falta de casos, ainda ocupava um dos gabinetes  principais. Espaçoso, luxuoso, e a vista... Mas não podia deixar de pensar que pela maneira como as coisas lhe corriam era uma questão de tempo até o transferirem dali.

Sentou-se à frente do computador e olhou para uns papéis enquanto este ligava – nada de entusiasmante.

Viu a caixa de correio e não encontrou mais do que anúncios a viagra e variantes do mesmo tema.

"Bonito..."

Escreveu de forma pouco entusiástica durante um bocado, até ser interrompido pela voz da secretária, a soar pelo intercomunicador.

«Senhor Bishop, está aqui um Senhor Shweaty para o ver».

Connor parou e tentou lembrar-se se conhecia algum Shweaty, reviu os papéis, diante de si, à procura de qualquer referência ao nome, e nada. A voz voltou a soar:

«Senhor Bishop?..»

- Sim... Sim! Mande-o entrar Menina Spitz..

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27
Abr24

Começo...

por Fábio Cardoso

Connor Bishop acordou sobressaltado.

– Outra vez este maldito sonho – murmurou Connor ofegante. Era a terceira vez esta semana que sonhava comaquela cena macabra. Olhou para o despertador e viu que eram apenas 6 da manhã e, apesar de apenas precisar de selevantar às 7, sabia que não voltaria a adormecer.

Connor levantou-se pouco depois e dirigiu-se à casa de banho. Lavou a cara e, quando se viu ao espelho,suspirou. Estava com péssimo aspecto. As suas olheiras, pele pálida e olhos vermelhos revelavam o quanto a sua vida tinha piorado desde que, há pouco mais de seis meses,começara a ter aquele sonho.

Da primeira vez julgara dever-se, porventura, a algo que tivesse comido, mas quando o sonho passou a visitá-lo com frequência, percebeu que estava enganado. Depois dessa noite começou a dormir mal e, mesmo quando estava acordado, o sonho não lhe saía da cabeça. Sempre a mesma sala, ele sentado com a arma, e a misteriosa criança a quem ele chamava filha! Filha! Isso era o mais extraordinário, pois ele não tinha nenhuma filha. No entanto, a criançaparecia-lhe estranhamente familiar.

Tinha ido a quatro especialistas diferentes, depois da terceira semana de sonhos, mas nenhum sabia explicar a natureza dos mesmos, nem a razão pela qual nenhum dos medicamentos que lhe receitavam evitava a sua repetição.

Voltando a suspirar, regressou ao quarto e vestiu um sóbrio fato azul escuro de duas peças, uma camisa azul-escura e uma gravata negra. Connor Bishop fora, antes dos sonhos, um dos melhores advogados de São Francisco, mas agora os seus superiores praticamente não lhe atribuíam casos. Bebeu uma caneca de café bem forte e dirigiu-se para a porta. Mal sabia ele que este seria o dia em que tudo iria fazer sentido....

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